
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Promoção HQ Calvin e Haroldo!

quarta-feira, 12 de maio de 2010
Gibi: um termo em extinção?

por juniores rodrigues
Outro dia me dei conta que há anos não usava a palavra gibi para me referir às histórias em quadrinhos. E quando essa palavra saiu, saiu com um gosto estranho, quase arcaico, como se evocasse uma entidade há muito perdida ou esquecida. E realmente podemos observar que, atualmente, quem utiliza o termo está quase passando ou já passou da casa dos 30. O que eu noto (e aqui vai um dado nada comprovado, vindo somente de minhas parcas observações) é que, na maioria das vezes em que o termo é usado, há um tom pejorativo que o acompanha. Será isso uma manifestação apenas dos “mais velhos”? Talvez. Porque talvez a palavra gibi ainda esteja vinculada aos tempos em que essa modalidade era pensada ou considerada uma “arte menor”. O passar dos anos vem provando que as histórias em quadrinhos superaram esses preconceitos e se consolidaram como uma arte respeitável e mesmo inspiradora para outras artes, sobretudo no âmbito da cultura pop, tornando-se, além de objetos de fruição, ferramentas para o Ensino e “formação” do homem.
Voltando ao termo gibi, decidi ir mais a fundo em sua história e acabei descobrindo coisas interessantes. Uma delas é que se o termo soa preconceituoso nos dias de hoje isso tem a ver com sua origem mesmo. O caso da palavra gibi, a princípio, parece ter a ver com aquelas metonímias “inexplicáveis”, explicadas pelo sucesso de uma marca que se torna sinônimo de determinado produto, como é o caso de bombril, gillete e outros produtos.
A expansão do uso do termo ocorreu com o lançamento de revista Gibi, em 1939, pelo Grupo Globo. Na capa das edições, ao lado da destacada palavra Gibi, estava o desenho de um menino negro, também detentor da significação do termo, como podemos averiguar no Dicionário Houaiss:
gibi
Substantivo masculino
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
1 garoto negro; negrinho
2 publicação em quadrinhos, ger. infanto-juvenil
Etmologia: orig. obsc.
Segundo o professor Christian Arnold Leite, o termo gibi surgiu “com a revista Gibi, em 12 de abril de 1939, pelo editor e proprietário Roberto Marinho, através do jornal O Globo. O logotipo da revista era o menino negro no alto da capa falando, em algumas vezes, a palavra “Pelé”. Este termo, gibi, também é descrito como “um negro de traços grosseiros e rudes”.”
Interessante notar que mesmo a origem etimológica da palavra é dada como “obscura” pelo dicionário Houaiss, fato que torna ainda mais interessante essa cadeia de possíveis relações entre a origem e sentido (fim) imaginado e, sobretudo, aquele obtido, ainda que involuntariamente. A palavra que dá título a uma publicação da qual sua própria definição é excluída não tem também origem rastreável, tornando a exclusão uma ação permanente, suspendendo o excluído numa espécie de limbo, sem direito a réplica, como se, desde sempre, os gibis do nosso mundo estivessem com seu destino traçado, sem possibilidades de mudança.
Pondo a questão do preconceito racial e/nas HQs um pouco de lado (mas deixando aqui a entrevista do professor Christian Arnold Leite como exemplo de discussão da questão da representação dos negros em HQs), é interessante pensar o que o termo gibi inspirava e o porquê de seu uso para encabeçar uma publicação de quadrinhos. Por que associar a publicação de tiras de aventuras à imagem de um garoto negro? Podemos imaginar que nessa época (somente?) a imagem de um garoto negro como a que estampa a revista devia inspirar um mundo de possibilidades ligadas ao imaginário acerca dos negros e de suas especificidades e características culturais. Quais as expectativas em relação aos negros tão pouco tempo após a abolição? Qual a situação das famílias e das crianças negras de então? Qual seu lugar após as “limpezas” urbanas, como a de Pereira Passos no Rio de Janeiro? Onde o negro transita e a que(m) serve? Como reagir quando o Quilombo passa a ser favela?
Provavelmente, a representação de um menino negro devia bater com a de um “desocupado”, talvez um traquina, um espírito renegado, mas “livre”. E essa liberdade talvez fosse o que se buscava associar ao que era publicado, um mundo de aventuras, diferente daquele em que vivia o público leitor, que provavelmente não incluía meninos negros. Também cabe ressaltar que se hoje nos soa estranho essa denominação e suas implicações (o radar do politicamente correto ligado a cada esquina...), à época, pelo fato de se tratar de um produto, o uso do termo deve ter se dado em consonância com a mentalidade reinante, ou seja, era condizente com as expectativas e com a visão de mundo dos consumidores de então. Visão essa que colocava o negro como mero coadjuvante nas histórias de heróis (brancos), quando muito, pois não raro eles são representados como selvagens cuja única determinação é se alimentar de presas indefesas e dos heróis, quando esses são capturados em alguma armadilha. Por essa época, estava longe ainda o tímido protagonismo de personagens negros que vemos hoje. Indo por outra via, podemos até supor que o uso de um menino (negro) como chamariz de uma revista de quadrinhos buscasse alguma reminiscência do Menino Amarelo (Yellow Kid), considerada a primeira história em quadrinhos, apesar das controvérsias. Enfim, crianças cativam! E um menino negro e toda a carga de mistério que pode haver em seu entorno também pode ter um efeito catalisador nas intenções do leitor de viajar por esse universo que se desvenda a cada página.
Conjecturas à parte, a ambiguidade do termo prevaleceu e, por anos, o gibi foi visto como uma produção menor, como “coisa de criança”. A superação dessa condição parece ter abolido ou estar abolindo também a utilização do termo. Hoje, temos as histórias em quadrinhos sendo largamente publicadas no Brasil (não da forma ideal talvez), nos apropriamos de termos como mangá, graphic novel e mesmo arte sequencial (ara honrar o mestre Eisner) e no nível universitário seus conteúdos e suas metodologias são temas de inúmeros trabalhos acadêmicos, dissertações e teses.
Não serei ingênuo também de não “perceber” que as HQs se estabeleceram como item de mercado que, como todo produto bem sucedido, se expandiu, seguindo e criando demandas, sejam as de crianças, jovens ou adultos ou mesmo as dos pesquisadores. Talvez, não de modo direto, continuem não sendo voltadas, cultural e financeiramente, aos “gibis” da atualidade. E talvez os leitores de hoje ainda continuem sonhando com aquele mundo que, supõem-se, apenas os negrinhos desgarrados, com suas feições rudes, podem penetrar.
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Sobre a Revista Gibi e sua vidas, vale a pena conferir:
segunda-feira, 10 de maio de 2010
PESSOAS QUE DEVERIAM VIRAR HQ: TIM MAIA

por Jonas Tenfen
A vida de cada um daria um livro ou filme ou novela ou – por relação à temática do nosso blog – uma HQ. Não é a vida de todos (com alguma crueldade, posso afirmar de qualquer um, incluindo aqui a minha própria) que seria sucesso de público. É triste, mas é verdade...
Por sua vez, há algumas vidas tão ímpares, tão intensas que mesmo em uma biografia ou filme (ou etc) medíocres seriam um sucesso, garantiriam gargalhadas, lágrimas, as duas...
E, é claro, a primeira sugestão de uma pessoa que deveria virar um HQ é Tim Maia: um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Dono de uma voz inconfundível e de um humor oscilante, Tim Maia fez tudo como bem entendeu e desejou: muitos méritos tem por isso, muitas críticas também.
Alegava que foi professor de música de Roberto e Erasmo Carlos. Verdade absoluta ou parcial, os três, de fato, participaram de uma mesma banda na adolescência. Não é qualquer um que pode dizer por aí que ensinou o Rei a tocar violão (Rei à brasileira, mas, mesmo assim...)
As aventuras de Tim Maia nos EUA são um tratado sociológico sobre o frio, uma incursão cultural sobre a arte de vestir. Ali, depois de sair da casa dos seus protetores, precisou enfrentar a fome cotidianamente. Nada mais prático para isso do que as mil e uma funções dos imensos bolsos dos casacos de frio, melhor dizendo, as mil e uma coisas que ali dentro podem caber. Descoberto, foi convidado para um intercâmbio em uma penitenciária dos EUA, antes de ser extraditado.
E a imensa coleção de frase do mestre? Sobre segurança: “ô Gilsomendonça, o chinês é que é esperto. O chinês inventou o jiu-jítsu, o judô, foi misturando com caratê, artes marciais, defesa pessoal, e acabou inventando a pólvora. E depois fez logo o revólver, que ele não é maluco, mermão!”; sobre a economia mundial e a solução para as crises: “O mundo só vai ficar melhor depois de terminar o dinheiro. Porém, que não me falte nenhum enquanto ele não terminar.”; sobre seus hábitos: “Não fumo, não cheiro e não bebo, mas às vezes minto um pouquinho.”; sobre suas preferências: “Eu to aqui fazendo esse show para a Brahma, mas eu gosto mesmo é de um guaraná Antarctica.” E, como encerramento deste rápido compêndio, a clássica das clássicas, sobre a univocidade desta terra chamada Brasil: “O Brasil é o único país onde, além de puta gozar, cafetão ter ciúme e traficante ser viciado, pobre é de direita.”
Tim também teve seus problemas por causa das drogas. Usuário contumaz, apenas na infância e quando fez parte do Universo em Desencanto, que não queimou os seus bauruetes ou cheirou pó. Muito generoso, chegou a distribuir ácido (quando esse era ainda uma novidade no Brasil) em todos os setores de uma gravadora: do jurídico ao contábil. Espertalhão, pagou muitas vezes seus músicos com erva, inclusive aqueles que nunca fumaram, pararam ou tinham que levar comida para casa.
Há também os shows
A vida de Tim Maia é tão grande que mal coube em uma biografia ou em entrevistas ao Jô Soares, não seria em um texto de blog que caberia. Mas
Para mais detalhes da vida de Tim, incluindo outras frases, há a biografia dele Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Motta (de onde retirei as frases acima). Há também as entrevistas dele ao Jô Soares, disponíveis no YouTube.
Quem mais você, caro leitor do Cultura HQ, acha que deveria virar HQ? Deixe um comentário sobre isso e ganhe um Muito Obrigado de todos nós!
sábado, 8 de maio de 2010
A (nova) Hora do Pesadelo
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Dica de sexta: Com grandes poderes...

Enquanto isso não ocorre, O Espertacular Homem-Aranha desfruta de seu crescente prestígio no (sub)mundo da luta livre, recheado com suas trapaças e seduções as mais variadas, e, como poderia ocorrer a todo adolescente, fica ofuscado pela fama repentina, agindo de forma displicente, mentindo para sua família, enquanto tenta ganhar a garota mais famosa da escola. De maneira inteligente, em consonância com a arte de Tony Harris, percebemos que o percurso de um grande herói, antes dos vilões e das grandes aventuras, é recheado de tentações, muitas das quais ele não irá resistir, até que esteja realmente preparado para assumir seu lugar num mundo de grandes responsabilidades.
Ah! Se tudo isso ainda não te convenceu, quem sabe a surpresa que acompanha a HQ lhe recompense por acreditar na dica e “tentar a sorte”.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Gilgamesh II – início, meio e fim.

Jim Starling é conhecido por ter o dedo certo para sagas cósmicas, tendo trabalhado tanto para a Marvel quanto para a DC Comics, em títulos como Batman, Superman, Justiceiro, Vingadores, entre muitos outros. Destacaremos do conjunto de seu trabalho a minissérie Gilgamesh II, de 1989. Se você está se perguntando ou foi pesquisar no oráculo pela primeira parte dessa história, provavelmente vai ficar um pouco confuso, pois Gilgamesh II é mesmo uma obra única, sem prévias e sem sequências. Bem... é mais ou menos isso. Pelo menos no que diz respeito ao quesito prévia, uma vez que o "II" do título se refere à Epopeia de Gilgamesh, rei de Uruk, na Mesopotâmia, que seria anterior às epopeias homéricas, sendo considerada uma das mais antigas referências ao dilúvio (bíblico), embora tenha sido descoberta apenas “recentemente” na história do mundo. Essa epopeia narra a história do rei Gilgamesh, parte homem parte deus, e sua busca de respostas para a questão da vida eterna, busca iniciada pela interrupção da forte amizade que o rei mantinha com Enkidu, seu parceiro de aventuras.
Com essa breve descrição da primeira “edição” de Gilgamesh, passamos ao texto/traço de Starling. Situada para algum ponto além dos anos 70, a história tem início com o fim de uma raça, isto é, com sobrevivência de apenas dois espécimes machos de uma raça alienígena que se vê obrigada a abordar a terra, sendo derrubada por uma arma nuclear americana. Isso por si só já dá a tônica do pano de fundo inicial de Gilgamesh II, a Guerra Fria. E é utilizando esse conflito que Starling torna verossímil a ascensão desse “semideus” entre os homens. No melhor estilo Arthur Clarke de “limpar” de suas histórias os modelos políticos e econômicos do século XX, Starling “resolve” os problemas do mundo, após longa e sangrenta guerra, através do controle corporativo, capitaneado pelo seu melhor guerreiro, aquele que se torna o Presidente Gilgamesh.
Resolvendo essa questão, Starling pode introduzir em sua história elementos de alta tecnologia, o que ajuda a conferir ritmo à trama, aliados a um traço minimamente realista, limpo, conciso, com cores fortes, condizentes com uma aura de mundo avançado, com destaque para o que realmente importa. Desse modo, batalhas dignas dos épicos têm seu lugar nessa minissérie, devidamente registradas por um forte aparato midiático. Se o toque sci fi permance inconcluso em suas possibilidades, a abordagem da mídia e seu modus operandi, por vezes aliada a interesses escusos e imorais, é bem destacada por Starling e parece permanecer nesses mais de vinte anos que sucederam essa publicação.

Dramática e envolvente, Gilgamesh II faz a ponte entre o início de nossas mitologias, passando pelos medos do presente (1989, a Guerra Fria e o caos atômico iminente), com o possível fim da vida humana na Terra, não sendo só uma história de aventura, mas também um aceno para o interior de todos nós, das nossas incertezas e medos, sobretudo o medo inconfessado da impotência diante do “destino final” escrito para cada um de nós.
domingo, 2 de maio de 2010
Skizz, de Alan Moore

por Fernanda Friedrich
Ao mesmo tempo, uma adolescente chamada Roxane está sendo convencida por um garoto a deixá-lo entrar em sua casa, já que seus pais estarão viajando pelo final de semana. Infelizmente – ou pelo menos infelizmente para o rapaz –, Roxy o manda embora depois de alguns xingamentos e uma eloquente batida de janela. A adolescente entra lamentando-se e escuta um barulho na garagem; imaginando ser Darren, o cara insistente, ela sai furiosa de seu quarto e vai vistoriar o local, dando de cara com o intérprete Zhcchz.
Aí se estabelece o primeiro contato direto e não hostil de um ser humano com o alienígena. Roxy cuida do nosso querido canguru, tenta alimentá-lo – no que não é bem-sucedida, visto que nada pára no estômago de Zhcchz – e o trata com bastante atenção, o que o surpreende, visto que, durante a sua experiência com os seres humanos, Shcchz só enfrentou situações relativamente violentas e desagradáveis. Devido ao fato de que o Zhcchz, apelidado de Skizz por Roxy, não consegue se alimentar, ela vai até uma farmácia, onde compra comida de bebê e esbarra em dois amigos de seu pai, Loz e Cornelius. Ambos foram despedidos da firma em que seu pai trabalha, o que não parece preocupar Loz, mas que afeta bastante Cornelius que, ao ser questionado por Roxy como estava em relação ao seu emprego, afirma apenas “Eu tenho meu orgulho”, frase que repete várias vezes no desenrolar da história e que, de certa forma, justifica todas as suas ações. Os dois dão uma carona a Roxy e estranham – ou pelo menos Loz estranha, visto que Cornelius parece estar completamente alheio à realidade – o fato de uma adolescente estar comprando comida para bebê e lhe oferecem ajuda ao deixá-la em casa. Esse pedido de ajuda não tarda se realizar; ao encontrar Skizz, Roxy percebe que o alienígena está bastante doente e, sem saber o que fazer, chama os amigos de seu pai. Ao se dar conta de que nada podem fazer para ajudar o alienígena, Loz liga pra a emergência.
Esses acontecimentos ocorrem simultaneamente ao descobrimento dos resquícios da nave de Skizz pelo governo e de uma grande comoção para o rastreamento do alienígena, que desconfiam ser um espião. E são eles quem vão buscar o intérprete na casa de Roxy, o que acaba por tornar pública a chegada de um extraterrestre ao planeta Terra. Naturalmente, Roxy, Cornélius e Loz são questionados a respeito do que disseram a Skizz e de quais informações ele pode ter-lhes passado. A investigação é liderada pelo capitão Van Owen, que está completamente obcecado com a ideia de que Skizz é um grande inimigo que deseja destruir o planeta Terra, ignorando a possibilidade de que esse encontro pode ser pacífico – ou mesmo um acidente.
Na base militar, Skizz se recupera do resfriado aprende a falar inglês, sendo, dessa forma, interrogado pelo Capitão, que desconfia de todas as suas respostas. Enquanto isso, protestos são feitos em frente à base militar em que Skizz está sendo mantido e Roxy, Cornelius e Loz organizam uma força-tarefa para sequestrar Skizz, estratégia que funciona bem até o momento em que eles são encontrados pelo capitão, que fica obcecado pela ideia de assassinar o inofensivo intérprete de Tau-Ceti. Os sequestradores e a presa são encurralados e, então, um milagre acontece: conterrâneos de Skizz descem do céu com suas naves brilhantes para resgatá-lo das “feras” terrestres. Skizz se despede de todos, finalizando as despedidas ao receber um beijo emocionante de Roxy.
Em toda a narrativa, são fortes as referências ao filme E.T. - O Extraterrestre, dirigido por Steven Spilberg e que, não coincidentemente, estreou nos cinemas apenas um ano antes da publicação de Skizz. Porém, diferentemente do filme, o nosso simpático canguru é encontrado por uma bela garota que se preocupa todo o tempo com o seu bem-estar, sugerindo, de certa forma, um relacionamento pseudo-amoroso entre os dois personagens, ente outras diferenças; Skizz é recebido com bastante violência pelos outros seres humanos, causando uma certa confusão, que é bastante explorada durante a narrativa; ao ser questionado por um de seus conterrâneos, afirma: “Eles... Eram cruéis e feios. Havia muito ódio e desespero... E tanto amor”. Os sentimentos que Skizz passa a experimentar durante sua estadia no planeta Terra são completamente novos para ele: a raiva pelo Capitão Van Owen, a necessidade de combatê-lo durante os interrogatórios, a vontade de mentir pela primeira vez, para acalmar Roxy; todos esses episódios o aproximam dos seres humanos e, de certa forma, reforçam a ideia de que os seres humanos são intelectualmente inferiores; afinal, deixam-se guiar por emoções. Um dos personagens mais intrigantes é Cornelius, que se envolve no sequestro de Skizz devido ao fato de que também se sente um alienígena dentro da própria sociedade em que está inserido, sendo descrito por Skizz como uma criatura que “tem um certo tipo de nobreza, uma aura de força colossal, lutando contra um desespero esmagador”, o que prova-se verdadeiro no momento em que Cornelius arrisca sua vida para salvar Skizz. É uma narrativa que peca pelo não aprofundamento das várias situações de conflito e dos próprios personagens, o que é melhor desenvolvido em outras narrativas de Moore, como Watchmen ou V de Vingança, por exemplo; deve-se levar em consideração o fato de que Skizz foi publicada em apenas uma edição, ao contrário das HQs citadas anteriormente. Ainda assim, é um trabalho bastante interessante para quem gosta ou pretende conhecer a obra de Moore, além de ser uma leitura bastante divertida.