sábado, 8 de maio de 2010
A (nova) Hora do Pesadelo
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Dica de sexta: Com grandes poderes...

Enquanto isso não ocorre, O Espertacular Homem-Aranha desfruta de seu crescente prestígio no (sub)mundo da luta livre, recheado com suas trapaças e seduções as mais variadas, e, como poderia ocorrer a todo adolescente, fica ofuscado pela fama repentina, agindo de forma displicente, mentindo para sua família, enquanto tenta ganhar a garota mais famosa da escola. De maneira inteligente, em consonância com a arte de Tony Harris, percebemos que o percurso de um grande herói, antes dos vilões e das grandes aventuras, é recheado de tentações, muitas das quais ele não irá resistir, até que esteja realmente preparado para assumir seu lugar num mundo de grandes responsabilidades.
Ah! Se tudo isso ainda não te convenceu, quem sabe a surpresa que acompanha a HQ lhe recompense por acreditar na dica e “tentar a sorte”.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Gilgamesh II – início, meio e fim.

Jim Starling é conhecido por ter o dedo certo para sagas cósmicas, tendo trabalhado tanto para a Marvel quanto para a DC Comics, em títulos como Batman, Superman, Justiceiro, Vingadores, entre muitos outros. Destacaremos do conjunto de seu trabalho a minissérie Gilgamesh II, de 1989. Se você está se perguntando ou foi pesquisar no oráculo pela primeira parte dessa história, provavelmente vai ficar um pouco confuso, pois Gilgamesh II é mesmo uma obra única, sem prévias e sem sequências. Bem... é mais ou menos isso. Pelo menos no que diz respeito ao quesito prévia, uma vez que o "II" do título se refere à Epopeia de Gilgamesh, rei de Uruk, na Mesopotâmia, que seria anterior às epopeias homéricas, sendo considerada uma das mais antigas referências ao dilúvio (bíblico), embora tenha sido descoberta apenas “recentemente” na história do mundo. Essa epopeia narra a história do rei Gilgamesh, parte homem parte deus, e sua busca de respostas para a questão da vida eterna, busca iniciada pela interrupção da forte amizade que o rei mantinha com Enkidu, seu parceiro de aventuras.
Com essa breve descrição da primeira “edição” de Gilgamesh, passamos ao texto/traço de Starling. Situada para algum ponto além dos anos 70, a história tem início com o fim de uma raça, isto é, com sobrevivência de apenas dois espécimes machos de uma raça alienígena que se vê obrigada a abordar a terra, sendo derrubada por uma arma nuclear americana. Isso por si só já dá a tônica do pano de fundo inicial de Gilgamesh II, a Guerra Fria. E é utilizando esse conflito que Starling torna verossímil a ascensão desse “semideus” entre os homens. No melhor estilo Arthur Clarke de “limpar” de suas histórias os modelos políticos e econômicos do século XX, Starling “resolve” os problemas do mundo, após longa e sangrenta guerra, através do controle corporativo, capitaneado pelo seu melhor guerreiro, aquele que se torna o Presidente Gilgamesh.
Resolvendo essa questão, Starling pode introduzir em sua história elementos de alta tecnologia, o que ajuda a conferir ritmo à trama, aliados a um traço minimamente realista, limpo, conciso, com cores fortes, condizentes com uma aura de mundo avançado, com destaque para o que realmente importa. Desse modo, batalhas dignas dos épicos têm seu lugar nessa minissérie, devidamente registradas por um forte aparato midiático. Se o toque sci fi permance inconcluso em suas possibilidades, a abordagem da mídia e seu modus operandi, por vezes aliada a interesses escusos e imorais, é bem destacada por Starling e parece permanecer nesses mais de vinte anos que sucederam essa publicação.

Dramática e envolvente, Gilgamesh II faz a ponte entre o início de nossas mitologias, passando pelos medos do presente (1989, a Guerra Fria e o caos atômico iminente), com o possível fim da vida humana na Terra, não sendo só uma história de aventura, mas também um aceno para o interior de todos nós, das nossas incertezas e medos, sobretudo o medo inconfessado da impotência diante do “destino final” escrito para cada um de nós.
domingo, 2 de maio de 2010
Skizz, de Alan Moore

por Fernanda Friedrich
Ao mesmo tempo, uma adolescente chamada Roxane está sendo convencida por um garoto a deixá-lo entrar em sua casa, já que seus pais estarão viajando pelo final de semana. Infelizmente – ou pelo menos infelizmente para o rapaz –, Roxy o manda embora depois de alguns xingamentos e uma eloquente batida de janela. A adolescente entra lamentando-se e escuta um barulho na garagem; imaginando ser Darren, o cara insistente, ela sai furiosa de seu quarto e vai vistoriar o local, dando de cara com o intérprete Zhcchz.
Aí se estabelece o primeiro contato direto e não hostil de um ser humano com o alienígena. Roxy cuida do nosso querido canguru, tenta alimentá-lo – no que não é bem-sucedida, visto que nada pára no estômago de Zhcchz – e o trata com bastante atenção, o que o surpreende, visto que, durante a sua experiência com os seres humanos, Shcchz só enfrentou situações relativamente violentas e desagradáveis. Devido ao fato de que o Zhcchz, apelidado de Skizz por Roxy, não consegue se alimentar, ela vai até uma farmácia, onde compra comida de bebê e esbarra em dois amigos de seu pai, Loz e Cornelius. Ambos foram despedidos da firma em que seu pai trabalha, o que não parece preocupar Loz, mas que afeta bastante Cornelius que, ao ser questionado por Roxy como estava em relação ao seu emprego, afirma apenas “Eu tenho meu orgulho”, frase que repete várias vezes no desenrolar da história e que, de certa forma, justifica todas as suas ações. Os dois dão uma carona a Roxy e estranham – ou pelo menos Loz estranha, visto que Cornelius parece estar completamente alheio à realidade – o fato de uma adolescente estar comprando comida para bebê e lhe oferecem ajuda ao deixá-la em casa. Esse pedido de ajuda não tarda se realizar; ao encontrar Skizz, Roxy percebe que o alienígena está bastante doente e, sem saber o que fazer, chama os amigos de seu pai. Ao se dar conta de que nada podem fazer para ajudar o alienígena, Loz liga pra a emergência.
Esses acontecimentos ocorrem simultaneamente ao descobrimento dos resquícios da nave de Skizz pelo governo e de uma grande comoção para o rastreamento do alienígena, que desconfiam ser um espião. E são eles quem vão buscar o intérprete na casa de Roxy, o que acaba por tornar pública a chegada de um extraterrestre ao planeta Terra. Naturalmente, Roxy, Cornélius e Loz são questionados a respeito do que disseram a Skizz e de quais informações ele pode ter-lhes passado. A investigação é liderada pelo capitão Van Owen, que está completamente obcecado com a ideia de que Skizz é um grande inimigo que deseja destruir o planeta Terra, ignorando a possibilidade de que esse encontro pode ser pacífico – ou mesmo um acidente.
Na base militar, Skizz se recupera do resfriado aprende a falar inglês, sendo, dessa forma, interrogado pelo Capitão, que desconfia de todas as suas respostas. Enquanto isso, protestos são feitos em frente à base militar em que Skizz está sendo mantido e Roxy, Cornelius e Loz organizam uma força-tarefa para sequestrar Skizz, estratégia que funciona bem até o momento em que eles são encontrados pelo capitão, que fica obcecado pela ideia de assassinar o inofensivo intérprete de Tau-Ceti. Os sequestradores e a presa são encurralados e, então, um milagre acontece: conterrâneos de Skizz descem do céu com suas naves brilhantes para resgatá-lo das “feras” terrestres. Skizz se despede de todos, finalizando as despedidas ao receber um beijo emocionante de Roxy.
Em toda a narrativa, são fortes as referências ao filme E.T. - O Extraterrestre, dirigido por Steven Spilberg e que, não coincidentemente, estreou nos cinemas apenas um ano antes da publicação de Skizz. Porém, diferentemente do filme, o nosso simpático canguru é encontrado por uma bela garota que se preocupa todo o tempo com o seu bem-estar, sugerindo, de certa forma, um relacionamento pseudo-amoroso entre os dois personagens, ente outras diferenças; Skizz é recebido com bastante violência pelos outros seres humanos, causando uma certa confusão, que é bastante explorada durante a narrativa; ao ser questionado por um de seus conterrâneos, afirma: “Eles... Eram cruéis e feios. Havia muito ódio e desespero... E tanto amor”. Os sentimentos que Skizz passa a experimentar durante sua estadia no planeta Terra são completamente novos para ele: a raiva pelo Capitão Van Owen, a necessidade de combatê-lo durante os interrogatórios, a vontade de mentir pela primeira vez, para acalmar Roxy; todos esses episódios o aproximam dos seres humanos e, de certa forma, reforçam a ideia de que os seres humanos são intelectualmente inferiores; afinal, deixam-se guiar por emoções. Um dos personagens mais intrigantes é Cornelius, que se envolve no sequestro de Skizz devido ao fato de que também se sente um alienígena dentro da própria sociedade em que está inserido, sendo descrito por Skizz como uma criatura que “tem um certo tipo de nobreza, uma aura de força colossal, lutando contra um desespero esmagador”, o que prova-se verdadeiro no momento em que Cornelius arrisca sua vida para salvar Skizz. É uma narrativa que peca pelo não aprofundamento das várias situações de conflito e dos próprios personagens, o que é melhor desenvolvido em outras narrativas de Moore, como Watchmen ou V de Vingança, por exemplo; deve-se levar em consideração o fato de que Skizz foi publicada em apenas uma edição, ao contrário das HQs citadas anteriormente. Ainda assim, é um trabalho bastante interessante para quem gosta ou pretende conhecer a obra de Moore, além de ser uma leitura bastante divertida.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Dica de sexta: terror em dobro


segunda-feira, 26 de abril de 2010
HQs e mercado: as decisões editorais
terça-feira, 13 de abril de 2010
SEGUINDO NEIL GAIMAN

por Jonas Tenfen
Como toda ferramenta virtual que tem sucesso na internet, o Twitter também foi acusado de corromper as pessoas, de destruir a escrita, de ser mais uma marca dessa decadente geraçãoaudio-visual... e por aí segue ad infinitum uma reiteração dos mesmos argumentos e uma variação – igualmente sem fim – sobre os mesmos temas; variando, de fato, apenas o alvo do comentário: uma ferramenta virtual qualquer em questão ou debate.
Comentários estes que também são comuns em discursos de escritores e pensadores laureados, em alguns casos, laureadíssimos, diga-se de passagem. Como, por exemplo, José Saramago, Nobel de Literatura, que constantemente afirma nas suas entrevistas: Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido. Escapou ao excelente escritor (excelente mesmo! sem ares de ironia que fatalmente podem pairar sobre o comentário) pequenos detalhes como o fato de que quase todos os hai-kais (todos se escritos em ideogramas) e a grande maioria dos aforismos de Nietzsche cabem em 140 toques – até menos. Começa, a partir destes dois exemplos dentre tantos outros, ficar um pouco complicado e difícil reduzir a simples grunhidos escritas dessa dimensão. (Barbárie se dá de todos os tamanhos, mas isso é uma outra discussão.) Até mesmo os nobéis, principalmente se de mau-humor, são passíveis de ligeiras falhas argumentativas como estas.
De maneira geral, o Twitter conseguiu espaço pela leveza e agilidade: ao tentar se diferenciar de um e-mail pela limitação do número de toques, acaba criando a vivacidade que lhe é tão característica. O chargista Maurício Ricardo afirmou recentemente, na sua sessão e-mails comentados do seu www.charges.com.br, que se tornou fã incondicional do Twitter pela facilidade de administração e controle, em oposição direta ao Orkut. De fato, o Orkut – incrivelmente popular no Brasil – é uma espécie de fórum de si mesmo, onde os posts e scraps são as pistas da popularidade e da leitura, que pode se desdobrar em infinitas comunidades, em fóruns e tópicos dentro de comunidades... algo bem difícil de se administrar. No Twitter, a quantidade de seguidores, por si só, já é “o sucesso”: todos os seguidores receberão os posts, mas se estes serão lidos, debatidos ou apagados não importa tanto. Os comentários podem ser retwettados, o que inicia toda uma outra estatística, também sintoma de popularidade.
Outro twitteiro muito profícuo é Neil Gaiman. Gaiman, que possui hábitos reclusos (não tão reclusos como os de Alan Moore, obviamente), fez da Internet e agora do Twitter uma ferramenta para se aproximar - ainda que se afastando – dos seus leitores no mundo todo. É muito comum que o autor de Sandman, antes de uma palestra, peça aos seus seguidores para lhe enviarem perguntas a serem respondidas depois da sua fala. Em recente palestra no Royce Hall, o principal Centro de Eventos da University of Califórnia (UCLA), Gaiman foi perguntado – como acabamos de comentar, via Twitter – quando Sandman vai virar filme. Muito à inglesa, limitou-se a responder: “Quando for filmado.”
Para além de perguntas e “What’s happening?”, Gaiman utiliza o Twitter para divulgar livros, textos, obras, não apenas – na verdade, raramente – os seus livros, mas de outros autores que encontraram no ambiente virtual espaço para publicar seus trabalhos. Leitor voraz, Gaiman deve garimpar muito material on-line, da mesma foram que deve receber muitas indicações; leitor generoso, faz questão de divulgar esse material. Seria interessante, mas ligeiramente inútil, abrir uma sessão neste blog chamada “Dicas de Gaiman”, com estes posts do Twitter. Interessante, pois teríamos NEIL GAIMAN como colaborados nosso no Cultura HQ! (Ora leitor, a propaganda é a alma do negócio!) Mas inútil, porque qualquer um pode segui-lo, mesmo sem Twitter. Sem contar que tais “dicas”, por vezes, acabam sendo conhecidas e popularizadas por outras ferramentas do orkut, como por outros blogs, como pelo próprio, e ainda forte, orkut.
*Jonas Tenfen não tem Twitter por pura preguiça, e quem lhe passa muitas das dicas de Gaiman é Juniores Rodrigues. Se você é twitteiro e ainda não segue Neil Gaiman, o endereço é @neilhimself; aproveite a deixa e passe a seguir o Cultura HQ também! Nosso endereço é @cultura_hq.Você pode ler toda a entrevista de José Saramago que foi citada neste texto clique aqui.